MORDigital – Digitalização do Diccionario da Lingua Portugueza de António de Morais Silva

O principal objetivo do MORDigital é codificar as primeiras três edições do Diccionario de Lingua Portugueza de António de Morais Silva, publicado pela primeira vez em 1789. O dicionário Morais representa um grande legado lexicográfico, uma vez que marca o início dos dicionários monolingues portugueses, tendo servido de modelo para toda a produção lexicográfica subsequente ao longo dos séculos XIX e XX.
O MORDigital segue um novo paradigma em Lexicografia, que resulta da convergência entre Lexicografia, Terminologia, Linguística Computacional e Ontologias como parte integrante das Humanidades Digitais e Dados (Abertos) Ligados, alinhados com os Princípios FAIR.

No contexto português, esta investigação preenche uma lacuna no que diz respeito aos dicionários pesquisáveis em linha retrodigitalizados, construídos com base em normas e metodologias atuais que promovem a partilha e harmonização de dados, nomeadamente TEI Lex-0, LMF e OntoLex Lemon. A equipa irá ainda assegurar a ligação a outros sistemas e recursos lexicais existentes, particularmente no mundo lusófono.

O projeto (DOI 10.54499/PTDC/LLT-LIN/6841/2020) tem o apoio do financiamento nacional português por intermédio da FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia, enquanto projeto submetido ao Concurso de Projetos de IC&DT em todos os domínios científicos.

Início: 2021
Duração: 36 meses


Instituição Proponente
– Universidade Nova de Lisboa (UNL)

Unidade de Investigação Principal
– Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (CLUNL/FCSH/UNL)

Instituições Participantes
– INRIA
– Istituto Di Linguistica Computazionale ‘A. Zampolli’, Consiglio Nazionale delle Ricerche (ILC)
– European Research Infrastructure Consortium (DARIAH-EU)

Objetivos

1) analisar todos os componentes que constituem a macro e a microestrutura do dicionário;

2) identificar, organizar e descrever os diferentes níveis de conhecimento linguístico com o intuito de aplicar sistematicamente as normas acima referidas;

3) desenvolver metodologias que possam ser replicadas por outras aplicações e testar o alinhamento das diferentes codificações do dicionário Morais;

4) participar na revisão das normas correspondentes como membros dos organismos de elaboração de normas e de fóruns científicos;

5) sugerir melhores práticas para a harmonização e codificação de recursos lexicais;

6) tornar o dicionário Morais acessível através de uma plataforma de acesso aberto.

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O Lexicógrafo

O autor do célebre dicionário em estudo é António de Morais Silva (1757?–1824), um renomado lexicógrafo brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Morais formou-se em Direito Civil e Canónico pela Universidade de Coimbra, mas não enveredou por uma carreira jurídica, por ter sido perseguido pela Inquisição que, acusando-o de heresia, ordenara a sua prisão. Conseguindo fugir para Inglaterra, dedicou-se ao estudo das línguas e traduziu e anotou uma História de Portugal. Terá sido em Londres que Morais organizou a estrutura do seu futuro dicionário. O lexicógrafo abandonou o exílio inglês em 1785, voltando a Portugal. Mudou-se para o Brasil em 1794 e entrou na carreira da magistratura, ocupando o cargo de desembargador da Relação da Baía, que cedo acabou por resignar, por desentendimentos com o chanceler. Seguiu para Muribeca, em Pernambuco, vivendo aí, até morrer a 11 de abril de 1824.

O Dicionário

O Dicionário da Língua Portuguesa, de António de Morais Silva, vulgarmente conhecido como Dicionário Morais, intitula-se na sua edição prínceps, datada de 1789, Diccionario da Lingua Portugueza composto pelo Padre D. Rafael Bluteau, reformado, e accrescentado por Antonio de Moraes Silva, natural do Rio de Janeiro.
A 1.ª edição data de 1789 e é apresentado como uma versão do Vocabulário Portuguez e Latino de 1712, de Rafael Bluteau.